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Os Surdos e Contratantes Ouvintes precisam ser respeitados. 

Li este artigo no site da ABRATES escrito por Ângela Levy. 
 
Embora seu título seja “Sabe inglês? Vire tradutor...” bem que podia ser também “Sabe LIBRAS ? Vire Interprete”, este artigo reforça e valoriza o incansável esforço deste profissional.


Sabe inglês? Vire tradutor...

Ouço sempre este comentário, dirigido a ex-estudantes de intercâmbios: "Você não aprendeu inglês? Então, por que não ‘vira’ tradutor? Deve ser fácil – e parece que dá um bom dinheirinho."

Assim como meus colegas da Abrates, que bem sabem quanto estudo, pesquisa e suadouro são necessários para chegar a ser um tradutor "simplesmente bom", fico com vontade de dar algumas explicações aos desavisados "muy amigos" dos jovens viajantes. E o faço aqui, esperando que os colegas tenham a oportunidade de passá-las a esses bem intencionados e equivocados conselheiros.

Quais seriam as qualidades indispensáveis a um candidato à profissão de tradutor e de intérprete?

Sabemos que formar esses profissionais é tarefa delicada, difícil e cheia de entraves, sendo importante selecionar candidatos que possuam determinados requisitos: conhecimento perfeito das línguas de chegada, conhecimento profundo das línguas de partida e bons conhecimentos da cultura, história, literatura tradições e realidade presente dos povos com cuja língua vão trabalhar.

Depois, que sejam amantes das Letras, e que se disponham a tratar com respeito, delicadeza e eficiência essas línguas, especialmente a nossa pobre língua portuguesa, tão maltratada e aviltada por tantos que dela tiram sua sobrevivência.

E as qualidades pessoais? Tanto o candidato a tradutor como intérprete precisam ser meticulosos mas dinâmicos, pacientes mas rápidos e auto-confiantes mas conscienciosos, além de donos de um enorme senso de responsabilidade e honestidade profissional. Devem ter grande poder de concentração, de análise e de síntese, raciocínio rápido, excelente memória, facilidade de expressão oral ou escrita - conforme o tipo de trabalho -
grande curiosidade intelectual e vasta cultura geral. Do candidato a intérprete devemos exigir também reflexos rápidos, facilidade de adaptação a qualquer tipo de sotaque, o dom da oratória, um tom de voz agradável e resistência física e mental acima da média. E, para o tradutor e o intérprete, tato e diplomacia no trato com os clientes.

Encontrados os candidatos ideais, vamos então formá-los, ensiná-los e traduzir e interpretar idéias e culturas, e jamais simples palavras... Diria melhor começar a formá-los, pois seu desenvolvimento profissional irá estender-se por toda a vida, a partir de cada texto traduzido ou cada palestra interpretada.

Sabemos que esse aprendizado só produz frutos perfeitos naqueles que já nasceram com o dom de traduzir ou interpretar, mas sabemos também que o sucesso profissional dependerá basicamente de uma dedicação total ao estudo, à pesquisa e à profissão.

Na minha experiência de 30 anos à frente de um Curso de Tradução e Interpretação, procuramos descobrir nos candidatos a alunos todo esse potencial, e guiá-los na melhor maneira de concretizá-lo. Vamos ensiná-los a compor um texto ou uma fala que não levem o leitor ou a platéia a pensarem que aquilo que dizem ou escrevem nasceu em uma outra língua. Vamos ensiná-los a tratar as palavras com amor e a serem, a um tempo, fiéis e criativos.

É um trabalho meticuloso e absorvente, demorado e difícil. Mas traz grandes alegrias, principalmente quando nosso novo profissional percebe, no meio do turbilhão de estudos e atividades a que se submete, que seu trabalho -
embora árduo, solitário, cansativo e, muitas vezes, mal remunerado – será sempre gratificante e enriquecedor se ele for um profissional responsável, dedicado e 100% honesto com seus textos, suas falas e seus clientes.

É quando ele descobrirá que, neste mundo tão diversificado, mas tão globalizado, escolheu a mais fascinante das profissões!
 

Nossos Comentários
 
 
Artigo muito interessante, aí resolvemos partilhar, e refletir sobre o assunto.  Para os que estão na trajetória para a formação de tradutores e intérpretes em Libras, reflitam e vejam que é a hora de começarmos a VALORIZAR nossa profissão, pois já estão banalizando, interpretando por meros reais, interpretando de qualquer maneira.
 
Existem muitas pessoas que sabem inglês mas não tem competência tradutória. Se a pessoa é honesta ela sabe que será falsidade ideológica passar por tradutor de inglês quando não está formado para atuar como tal. Imagine tal pessoa num congresso de alto nível com palestrantes internacionais, se colocar como tradutor de inglês sem ter tal competência, usando apenas o inglês básico que aprendeu?
 
Talvez a pessoa diga que viveu com pessoas que falam inglês e que sabe traduzir.  Vamos imaginar então o seguinte, solicita-se a um estrangeiro que não sabe português que aprenda o idioma aqui no Brasil convivendo apenas com as pessoas que falam português mas que nunca foram para uma Escola.  Com certeza ele aprenderia, mas aprenderia que tipo de fala? O português normativo ou o português das ruas?  Com certeza ele aprenderia até mesmo gírias que não seriam usadas em palestras de alto nível, ou dentro de uma Empresa.  Mas ele aprendeu.  Se colocássemos esse estrangeiro para aprender com pessoas que não foram nunca para a Escola, que tipo de língua portuguesa ele aprenderia?  A que ele poderia usar como tradutor num evento, num congresso?
 
A grande maioria dos que aprenderam Libras, aprenderam com surdos que nunca foram para a Escola aprender Língua de Sinais, eles aprenderam na rua, com todos os vícios de linguagem.  Contudo, pessoas que desejaram se profissionalizar, investiram em obter conhecimento do idioma, pesquisaram e assim passaram a ter competência tradutória.  Descobriram que alguns sinais são chulos, pesquisaram para saber qual sinal é adequado, pesquisaram mais a língua fonte, o idioma oral, ou vice versa, a língua dos sinais.  Gastaram dinheiro com isso e trabalham como tradutores e intérpretes de libras.  Os pseudo-intérpretes quando usam algum classificador da língua de sinais, acham que é sinal, acham que sabem interpretar, muitas vezes usando sinais inadequados e/ou língua sinalizada, o 'português-sinalizado'. 
 
E nossos amigos surdos precisam se sujeitar a mais uma imposição dos ouvintes, 'esse é o intérprete e você tem que aceitar'.  Não é a toa que eles nem comparecem a esses eventos, primeiro porque não sabem se haverá 'quem mexerá com as mãozinhas' e segundo quando tem, não entendem, porque a palestra é de alto nível, mas quem está lá, que se apresentou como profissional, não faz a interpretação, nem mesmo passa a mensagem, omite por não saber ou não conhecer a língua fonte, pois as palavras não fazem parte do seu vocabulário. Por isso ficamos sabendo de situações em que os Surdos solicitam a retirada do 'intérprete', e isso prejudica os Profissionais, pois fica a dúvida na mente dos 'leigos' em língua de sinais, se isso é uma Profissão séria.
 
Isso é muito mais sério quando uma Empresa precisa informar seus colaboradores surdos sobre as normas da mesma, incluindo muitas vezes a legislação, ou informações sobre ética no trabalho ou boas práticas de fabricação.
 
Resultado: Basta mexer com as mãos e são contratados.  Muitos desses amadores são religiosos das mais diversas instituições (católicos, batistas, evangélicos, testemunhas de Jeová). 
 
Não são as Instituições Religiosas que questionamos, pois sabemos que as mesmas ensinam aos seus membros que precisam trabalhar dentro da Lei do Estado, do País.
 
Estimulamos a consciência daqueles que querem atuar como profissionais. Se são pessoas que pautam pelo que é certo, sabem que a pessoa precisar estar atuando legalmente.
 
Por exemplo, conduzir veículo automotor sem carteira de habilitação é contra a lei.  Há cursos de capacitação para intérpretes que certificam a pessoa para atuar como tal, habilitando a pessoa para atuar como Intérprete de LIBRAS. 
 
Por isso, pergunto; no estágio em que nos encontramos com a regulamentação da profissão de tradutor/intérprete de Libras (Lei 12.319/10), com várias Associações formadas, com cursos de capacitação sendo oferecidos, com o curso de formação superior para tradutores e intérpretes, não seria falsidade ideológica alguém que não tem competência tradutória, aceitar remuneração como profissional na área, em eventos que exijam capacitação técnica e/ou formação? 
 
Assim como as Empresas contratam prestadores de serviço capacitados e certificados nas demais áreas de atuação, devem fazer o mesmo, exigindo comprovação profissional da parte de quem se apresenta como Intérprete de LIBRAS.
 
Tais intérpretes-amadores devem  procurar  ter uma certificação de capacitação profissional e/ou certificação em proficiência em Libras.  Devem ser pessoas empenhadas nos estudos e pesquisas das línguas orais e de sinais, na cultura surda, nas competências necessárias ao profissional da área, bom conhecedor da sua língua materna, tendo um bom vocabulário, estar empenhado pela valorização do profissional tradutor e intérprete de Libras. 
 
Contudo, é sabido que em vários casos, há muitos que não tem nenhuma comprovação, e não se preocupam em ter uma formação, insistindo em dizer que são TRADUTORES E INTÉRPRETES. 
 
As pessoas e Empresas leigas no idioma LIBRAS acreditam que estão usando pessoas com competência tradutória, mas na verdade estão contratando pessoas inadequadas para o serviço. 
 
Se honestos, tais amadores devem deixar o trabalho para quem sabe, entrar para Associações de Intérpretes visando seu desenvolvimento no idioma e investir na profissão, fazendo cursos; pois o que aprendem com os surdos que não são Instrutores e/ou Professores formados, não lhes confere as competências necessárias à profissão. 
 
As instituições ou empresas que contratam para eventos os 'intérpretes' devem exigir que eles tenham Certificados de Capacitação Profissional ou Certificado de Proficiência na Tradução e Interpretação de Libras (Certificado de Proficiência no Uso e Ensino de Libras não certifica a pessoa como proficiente na Tradução e Interpretação de Libras, visto que cada tipo de profissional tem suas competências específicas, ou seja, a pessoa que tem Proficiência no Uso e Ensino de Libras, precisa provar que também é Proficiente na Tradução e Interpretação de Libras.  O mesmo se aplica a quem tem formação superior e Pós em Libras, além dessa Certificação precisará provar que é Profissional Tradutor e Intérprete de Libras. Cursos de Libras Básico ou Avançado não são cursos de capacitação profissional).  Ademais é preciso que a pessoa já tenha em mãos essa comprovação e não esperando resultados.
As Empresas devem recomendar que tais amadores façam Curso Superior de Tradução e Interpretação em Libras, Cursos de Capacitação Profissional, que não são os cursos de libras.  Os Certificados de Proficiência futuramente perderão sua validade.
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Estejam alertas! Exijam profissionais Capacitados e Certificados e que estejam atualmente fazendo o Curso de LETRAS-LIBRAS - Bacharelado em Tradução e Interpretação de LIBRAS.
 

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