Informações Importantes
As Línguas de Sinais (LS) são as línguas naturais das comunidades surdas. Ao contrário do que muitos imaginam, as Línguas de Sinais não são simplesmente mímicas e gestos soltos, utilizados pelos surdos para facilitar a comunicação. São línguas com estruturas gramaticais próprias.
Atribui-se às Línguas de Sinais o status de língua porque elas também são compostas pelos níveis lingüísticos: o fonológico, o morfológico, o sintático e o semântico. O que é denominado de palavra ou item lexical nas línguas oral-auditivas são denominados sinais nas línguas de sinais.
O que diferencia as Línguas de Sinais das demais línguas é a sua modalidade visual-espacial. Assim, uma pessoa que entra em contato com uma Língua de Sinais irá aprender uma outra língua, como o Francês, Inglês etc. Os seus usuários podem discutir filosofia ou política e até mesmo produzir poemas e peças teatrais.
LIBRAS, ou Língua Brasileira de Sinais, é a língua materna dos surdos brasileiros e, como tal, poderá ser aprendida por qualquer pessoa interessada pela comunicação com essa comunidade.
Como língua, esta é composta de todos os componentes pertinentes às línguas orais, como gramática semântica, pragmática sintaxe e outros elementos, preenchendo, assim, os requisitos científicos para ser considerada instrumental lingüístico de poder e força.
Possui todos os elementos classificatórios identificáveis de uma língua e demanda de prática para seu aprendizado, como qualquer outra língua.
Notícias e Entrevistas
Sueli Ramalho é surda e fala 32 línguas de sinais. Nascida em família de surdos, ela conta como superou sua deficiência. Veja entrevista no Youtube.
Partes 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07
Sites sobre Língua de Sinais
PROLIBRAS Exame Nacional de Proficiência
INES Instituto Nacional de Educação de Surdos
LSB Material para Divulgação da LIBRAS
RONICE MÜLLER Professora e Pesquisadora
I CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISA EM TRADUÇÃO E INTEPRETAÇÃO DE LÍNGUA DE SINAIS BRASILEIRA
TRADUÇÃO LIBRAS/PORTUGUÊS - DESAFIOS
Traduzir de sinais para voz é, provavelmente, o maior desafio para os intérpretes das línguas de sinais. A comunicação entre pessoas que falam línguas diferentes, depende de um bom tradutor. São muitos os conhecimentos e domínios necessários para que aconteça uma boa, coerente e real tradução.
Atualmente, temos muitos intérpretes leitores de sinais (transliteram sinal/palavra), porém, não tradutores. O bom tradutor deve saber que mais importante do que traduzir é traduzir para uma língua. Daí a importância do profundo conhecimento da sua própria língua.
Três Grandes Tipos de Tradução
Tradução espontânea: é improvisada e que não teve nada preparado. O intérprete/tradutor não teve tempo nenhum para ver previamente o texto ou a "fala" do surdo. Somente a experiência e a práxis facilitarão cada vez mais a atuação em determinadas situações, uma vez que não há como prever o que acontecerá. Exemplos: palestras não programadas, consultas médicas, entrevista para emprego, situações jurídicas, orientações e procedimentos em uma empresa.
Tradução fixa: são traduções de textos/"falas" já conhecidas, como a oração do Pai-Nosso, textos escritos conhecidos, poesias da cultura ouvinte adaptadas para a LIBRAS, textos dos Direitos Humanos, Direitos da Criança, leis, documentos oficiais, atas, peças teatrais com textos decorados. Nessas situações, provavelmente, o tradutor/intérprete terá "in loco" o material a ser traduzido. Detalhe: Ainda que o texto seja o mesmo, cada sinalizador colocará seu registro lingüístico personalizado, seu ritmo, sua poesia, sua personalidade, inclusive podendo ser diferente se comparado à última vez em que ele mesmo sinalizou esse mesmo texto - nunca falamos a mesma coisa da mesma forma duas vezes!
Tradução preparada: situação considerada ideal para uma boa tradução porque o intérprete terá condições de se preparar com antecedência. Exemplos: Defesas de teses, apresentação de TCCs, monografias, palestras científicas, peças teatrais (os tradutores devem participar de todos os ensaios, porque serão "co-atores" durante toda a encenação) e, palestrantes de cidades diferentes das dos tradutores.
Três Grandes Mitos sobre o Tradutor/Intérprete
Ouvintes que sabem LIBRAS (até em nível avançado) são bons tradutores;
Professores de Surdos, usuários da LIBRAS, são bons tradutores;
Filhos de Surdos são bons tradutores.
São três situações diferentes que requerem níveis de competência específicos nem sempre desenvolvidos por essas pessoas. As maiores dificuldades percebidas nos Intérpretes/Tradutores são:
Fisiólogicos: a própria acuidade visual do tradutor/intérprete.
Psicológicos: atenção, motivação, estado emocional, bloqueios psicológicos, tendência à réplica.
Intelectuais/cognitivos: conhecimento lingüístico, divagação, (pré)conceitos, atitude crítica.
Ambientais: iluminação, conforto, ausência de ruídos.
Metodológicos: abrangência da zona nítida, leitura seletiva, mentalização, automatismo, tempo de mirada.
A Importância do Tempo de Mirada na Tradução
É fundamental, para o intérprete, o uso do lag-time, esse "tempo de escutar", referido como tempo de mirada, para que se faça uma boa tradução consecutiva. Por que é fundamental?
Permite que o palestrante comece seu discurso, e o intérprete inicie a sua tradução, com um tempo médio de 10 segundos de atraso, para organizar as idéias e evitar a tradução simultânea;
Ajuda para que não ocorra a omissão de conteúdos do discurso, por falta de entendimento ou tempo de leitura, a hipointerpretação.
Evita a substituição de termos errados, descontextualizados.
Possibilita a adaptação da língua-fonte para a língua-alvo, sem a omissão das metáforas, poesia, prosódia, etc.
Importante: se, por força das circunstâncias, o lag-time ficar muito longo (quando um Surdo estiver descrevendo tatilmente algum objeto grande), o silêncio demorado do tradutor poderá tirar um pouco da qualidade da tradução e incomodará os ouvintes que não estão entendendo nada. Uma sugestão, como sinal de que estamos em sintonia com o discurso, é valer-se de produções sonoras.
Palestra "Tradução Libras-Português: Uma Questão Relacional" no V Congresso Internacional e XI Seminário Nacional do INES, de 27 a 29 de Setembro de 2006, no Rio de Janeiro, realizada por Marco Antônio Arriens, Intérprete Internacional.
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